Seção: Contos

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A tarde na Av. Paulista

Osmar Bispo

Publicado por Osmar Bispo em 15/01/2009 - Veja todos os artigos desse autor

Numa tarde escura e fria de inverno caminho pela avenida Paulista sem nada para fazer. Mão no bolso ligo meu walk-mam e ouço a ultima do Barão Vermelho. Olho a paisagem poluída, pessoas passando umas pelas outras sem se cumprimentar. Vou levando meu corpo nesta calçada fria. Meu pensamento voando ao sabor do balanço da musica. Vejo as cenas de rua, mas em minha mente sinto o calor do nordeste e o vento forte batendo em meu rosto. As lembranças voam de volta a um passado que gostaria que nunca tivesse acabado, mas nada é permanente, tudo passa. Estou perdido no meio da multidão, vivendo esta loucura. Todos os meus sonhos tragados por essa engrenagem tamanho gigante, engolindo gente sem pedir licença. Minha única vontade é ir embora, cair fora, sei que o sertão vai virar mar e a terra da garoa está virando deserto. Aprofundo em meus pensamentos, alguém bate no meu ombro, viro-me e dou de cara com uma senhora de aparência européia, com cabelos tingidos, cores não definidas, que me pergunta: aonde fica o Hospital das Clinicas? Explico-lhe como deve chegar lá. Continuo a andar pela calçada fria da Paulista, refazendo minha vida em busca de um sentido para eu estar aqui neste caldeirão infernal. Estou chegando à pensão onde moro e a única coisa que quero é me deitar, pensar na minha terra e saber se um dia voltarei a viver os sonhos que foram arrancados de mim sem me perguntarem se podiam.

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4 Comentários para “ A tarde na Av. Paulista ”

Walkyria Marques de Paula
walkyria marques
17 de janeiro de 2009 ás 15:21 hs

Gostei… Vc verbalizou o sentimento de muitos nordestinos que procuram esta terra para trabalharem e sonham sempre com sua terra, sua casa. Mas, a vida passa e o tempo mancomunado com o “caldeirão infernal”, os engolem sem dar chance ao regresso.

lucia
17 de janeiro de 2009 ás 20:31 hs

achei muito tocante este conto e melancólico, mas acho que o sentimento foi muito bem traduzido. Parabéns

Alexandre Eduardo Weiss
23 de janeiro de 2009 ás 17:50 hs

Quando estou na avenida Rio Branco, aqui no Rio, me sinto nesta multidão que se cruza aos borbotões. Gosto do mar e das montanhas, do ceu e do luar. Mas por aqui dá pra ficar. Já morei em Campina Grande, ajudei na criação do curso de desenho industrial, na ufpb, campus C. Gde. O sertão da Paraíba é terra de cactus e chão sêco. João Pessoa me trazia alegria, praia de Tambaú. Campina Grande… que saudade… capital mundial do forró…
Abraços

Sumaia
11 de outubro de 2009 ás 21:59 hs

Escrevi algo parecido.
Mas cada um é cada um.
Captei em alguns nordenstinos moradores de S.Paulo
um apoderar-se da cultura paulista .
No conto Cidadão, procuro retratar isso.
A percepção de quem escreve é multifacetada, como também o é a vida.
Parabéns pelo conta
Sumaia

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