Seção: Crônicas

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Crónicas de Jussara Carvalho

Escritora de Paraisópolis

Publicado por Escritora de Paraisópolis em 27/02/2010 - Veja todos os artigos desse autor

Cidade de Jacaraci

Cidade de Jacaraci

Nasci em Jacaraci BA, numa fazenda de gado com plantação de milho, feijão, arroz, mandioca, hortaliças, coqueiros, cana-de açucar e pomar. O rio de água transparente era perene até minha adolescência, ano ao qual mudei para a cidade e estudei o primeiro grau numa escola com o nome da comarca da sede e segundo no centro educacional com o nome da matriarca da cidade.

Brincadeiras
Ainda sinto saudades das brincadeiras da minha infância. Como dizia o meu primo galego, eu era a criança mais veloz que nascera na fazenda Pedrinhas. A fazenda tem esse nome porque gente das regiões circunvizinhas aproximavam com seus carros de boi
para levar pedras para construções de casas de engenho, residência dos empregados ou casarões para se mesmo.
Na aurora da minha vida, eu e meu irmãozinho, brincávamos de pega-pega sobre pés de manga, jogávamos beisebol com um pedaço de ripa e a bola era uma laranja. Era muito engraçado, pois a fruta muitas vezes seca, se quebrava na primeira tacada e passávamos a tarde inteira jogando a bola e dando tacadas sem poder correr pelas bases. Naquela época, nós imitávamos o beisebol, duas colegas de escola e vizinhas se juntava ao nosso jogo composto de quatro membros: dois
apanhadores e dois rebatedores.

Clube secreto das bonecas
Também arrancava bonecas de milho verde para brincar de casinha com as meninas no clube secreto no meio do mato. Fazíamos pessoas, carros e diversos objetos com massinha, quero dizer barro. Nosso escorregador era de lama e eu andava tanto descalça sobre a areia alaranjada que nem sentia os espinhos perfurando os pés ou a queimadura de uma brasa. O vizinho coitado, teve que fazer uma operação para retirar um cravo (espinho enraizado) no pé.

Pai
Meu pai é um grande contador de histórias. Tem seu jeito especial e exclusivo de interpretar contos e o prazer em criar um enredo interessante. Na minha cidade natal, ele é conhecido pelos seus incríveis teatros. Todos lhe conhece pela suas encenações. Nunca cobrou ingressos para seus espetáculos.

Comédia política
Ledite uma jovem mãe, sentia ciúmes do encanto que meu pai promovias nas mulheres solteiras e casadas. Presenciei cenas de discussões com a vizinha que demonstrava interesse por ele. Porém meu pai também era ciumento. Fazia campanha política contra certo candidato que paquerava a minha mãe. Esta, aceitava os elogios para ser
mais valorizada e pregava na parede a propaganda do político que meu pai odiava. Dessa forma, na época da eleição, era uma comédia meio romântica-política.
Minha mãe arrancava a cara do partido pé colado e colava o retrato do partido jacu e o meu pai fazia o contrário, no final as pessoas que faziam campanhas politicas, ficavam confusas ao passar
pela casa dos meus pais. Na janela direta, propaganda do partido jacu, do outro a oposição.

Formadores de opinião
Intrigados, exigiam explicação para a palhaçada. Como meu pai e minha mãe, ambos eram formadores de opinião, a fazenda se tornava um campo de batalha político. Para as pessoas mais velhas da região, o homem impõe sua opinião calando o pensamento feminino no lar, assim os inconformados com a oposição politica de Ledite, exigiam que
meu pai obrigasse minha mãe a votar no partido que ele escolhesse, contudo ela sempre foi uma mulher guerreira e não permitia ser nenhum fantoche.

Festas
Fui a festas de ambos partidos políticos e conheci pessoas. O problema era que meus pais são sagrados para mim e como sonhava ter uma reputação brilhante para casar com um lindo e galante jovem que conquistasse meu coração e ainda não tinha idade para enlace matrimonial, eu não dava bola para os rapazes que me paquerava para não ficar com fama de namoradeira e decepcionasse meus queridos pais.

Colegial
Como em toda escola, os adolescentes eram muito bagunceiros e divertidos. A vice-diretora não suportava as brincadeiras da galera e dizia que parecíamos alunos de televisão, noutra vez berrava que a nossa turma ia colocar fogo no colégio, que éramos a classe de estudantes mais atentados.
Quando estávamos na sexta serie, fomos proibidos de parabenizar os mestres pelo seu dia. Planejamos dramatizar uma peça em homenagem a eles, porém fomos barrados. Toda a turma ficou trancada na sala de aula de castigo. Quando todo colégio terminou as peças teatrais, levaram uma bacia gigantesca cheia de sanduíches para a nossa sala. Sentindo humilhados com tanta comida, fizemos greve de fome e pensei em revertemos o insultos fazendo guerra de sanduíches, porém era muito tímida para iniciar uma bagunça.

Jovens evangélicos
Quando eu frequentava a igreja, ia a excursões por todas as cidades vizinhas. Um ônibus nos conduzia a igrejas que celebravam cultos de busca de dons, batismo e reuniões entre as moças e moços da mesma fé religiosa para se conhecerem, namorar e casar. Eu ficava zonza com tantos rapazes bem apessoados. Eles eram muitos jovens e ficavam divinamente charmosos vestidos ternos novos e tocando aqueles instrumentos musicais.
Com um sorriso no canto da boca, eu entoava os cantos líricos, outros mais parecidos com ópera, num esforço terrível que as vezes pensava que as tripas fossem sair pela boca.
Mas ficava feliz de cantar direitinho. Na verdade, o ar ajudava.
No último mês 2003, eu parti em busca de mais conhecimentos literários para poder aplicar nos meus livros.

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2 Comentários lida 903 vezes

2 Comentários para “ Crónicas de Jussara Carvalho ”

Ivan Sousa Santos
26 de outubro de 2011 ás 16:58 hs

Conheço sua vida e sinto saudade daquele tempo que fomos colegas de classe e fico feliz em saber que seu esfoço te propocionou o alcace dessa grande vitória.Parabéns.

Escritora de Paraisópolis
2 de novembro de 2011 ás 1:26 hs

Obrigado Ivan por seu comentário

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