Jeremoabo, O Cangaço e Zé Rufino

pedroson

Publicado por pedroson em 29/07/2011 - Veja todos os artigos desse autor

JEREMOABO, O Cangaço e Zé Rufino

Pedro Son

@BYG

Em 28 de Julho de 1938, morreu Lampião, este lendário personagem histórico, fonte de estudos dos mais diversos, cantado em verso e prosa e ainda hoje dividindo opiniões mais extremas que ora o coloca como herói e outras como bandido. Jeremoabo está intrinsecamente ligado a este movimento, sendo fonte fornecedora de muitos cangaceiros e de muitos soldados da volante, mas, principalmente, porque aqui nasceu Maria Bonita. Exatamente em nosso município, na localidade Malhada de Caiçara, no município de Santa Brígida, em 1911, nesta época pertencente ao município de Jeremoabo.

A saga do cangaço perdurou entre os anos 1920 e 1930 quando nosso município era o centro mais importante de toda esta região Nordeste da Bahia e, porisso, aqui se concentravam as volantes, contingente de cidadãos recrutados para o combate ao cangaço, dando um dinamismo sócio-econômico importante a Jeremoabo, embora, por outro lado, atraísse a violência e o medo para nossa população, marcados com a atuação cruel dos perseguidores e perseguidos.

Segundo o pesquisador Antonio Amaury Correa de Araujo, as cidades mais importantes para o Cangaço foram Vila Bela, atual Serra Talhada (PE), Jeremoabo (BA), Uauá (BA), Floresta (PE), Piranhas (AL), Delmiro Gouveia (AL), Poço Redondo (SE), Porto da Folha (SE) e Glória (BA). “Foram locais onde funcionaram as sedes das volantes ou de passagens de Lampião”, afirmou Corrêa.

Neste contexto, temos que destacar a figura de Zé Rufino, o implacável caçador de cangaceiros, que aqui residiu, fez família e se tornou, por opção, cidadão jeremoabense. O matador de Corisco, página mais lida de sua história, começa a ter sua biografia destacada. Nascido José Osório de Farias, sanfoneiro afamado em seu estado natal, Pernambuco, Zé Rufino foi convidado por Lampião para integrar o bando, que sonhava com sua sanfona alegrando o bando, recusando, e entrando na volante para fugir da vingança do rei do cangaço, que não aceitava uma negativa. Meses depois José Osório engajou-se à polícia chegando a receber graduação de tenente, e a partir daí surgiu o Tenente Zé Rufino. Chegou rapidamente a oficial, alcançando a posição de coronel da Policia Militar da Bahia. Participando de inúmeros combates, Zé Rufino matou muitos cangaceiros, tendo se tornado um dos mais respeitados chefes militares na perseguição ao cangaço, tendo dado fim aos cangaceiros Pai Véi, Mariano, Barra Nova, Zepellin, Canjica, Zabelê, etc., mas Corisco, sem dúvida, foi o que mais lhe deu fama.

Mas o fato que terminou pegando Lampião de surpresa, numa emboscada que ocasionou sua morte, tem também algo a ver com Zé Rufino. Cansado de ver o estrago que o comandante fazia no cangaço, Lampião manda uma mensagem a Corisco que dizia: “Vamos dar uma lição em Zé Rufino, que está querendo passar de pato a ganso.” E acertaram um encontro exatamente na Grota do Angico para acertar uma emboscada contra o então tenente José Osório de Farias, conhecido como Zé Rufino. Para Lampião, o tenente andava ‘atrapalhando’ e era hora de tomar providências. Surpreendido pela volante, não houve tempo para colocar em prática a emboscada contra Zé Rufino.

Passados os anos turbulentos das perseguições aos cangaceiros, Zé Rufino comprou fazendas na região de Jeremoabo, e aqui viveu até seu derradeiro suspiro. Lembro-me, pequeno, de vê-lo, tranqüila e calmamente, andando pelas ruas de nossa cidade, ou sentado nas barbearias contando um pouco de suas aventuras. Ano passado, sua vida e história foi tema da Conferência de Abertura do Cariri Cangaço 2010, realizado dia 17 de agosto na cidade de Barbalha-CE, com o pesquisador Antônio Amaury Correia de Araujo.

Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)

Compartilhe:
  • Print
  • email
  • RSS
  • Twitter
  • Digg
  • Google Bookmarks
  • del.icio.us
  • MySpace
  • Facebook
  • Live
  • Technorati
  • Netvibes
  • NewsVine
  • Reddit
  • StumbleUpon
  • PDF
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Yahoo! Buzz

RuimFracoRegularBomÓtimo (Nenhum Voto)
Loading ... Loading ...

6 Comentários lida 657 vezes

6 Comentários para “ Jeremoabo, O Cangaço e Zé Rufino ”

Antonio Vendramini Neto
Antonio Vendramini Neto
29 de julho de 2011 ás 15:42 hs

Bonito relato sobre essa época de cangaço no Nordeste.
Tenho uma crônica postada aqui no Favas, contando alguma coisa, depois que estive em Poço Redondo, rumando para a represa de Xingo,onde o destremido Lampião,permoitava com seus asseclas.
Um abraço.

Lílian Symaia
30 de julho de 2011 ás 23:27 hs

É sempre bom ler um artigo como este, principalmente porque destaca histórias de personagens nordestinos como eu…é um pedaço da nossa rica cultura, apesar de existirem muitas divergências acerca do assunto. O artigo ficou ótimo..parabéns

Osmar Bispo
5 de agosto de 2011 ás 15:54 hs

Pois meu amigo Pedro esta matéria sobre um personagem que marcou a regiões de Jeremoabo, pessoalmente não conheci Zé Rufino, mas meus pais e alguns parentes o conheciam.

Achei a matéria interessante desperta curiosidade e aversão e afeição tanto para quem perseguia o cangaço como o outro lado.

Através de a minha família ouvir muitos relatos sobre este personagem algumas interessante outras nem tanto.

Na minha família tínhamos pessoas participando de ambos os lados do conflito o cangaço do outro (a policia), a volante.

Futuramente pretendo contar um pouco da historia da família sobre este fato social onde parte dela estava de alguma forma envolvida, a este fato.

Uma das versões que pretendo contar começa em Brotas de Macaúbas, no Estado da Bahia, no fatídico dia onde as tropas do Coronel Zé Rufino deram cabo ao Corisco quem estava lá fazendo parte do bando de Corisco era minha tia no momento do conflito ela e o marido e filho conseguiu escapar, a partir daí pretendo elucidar alguns fatos que poucas pessoas conhecem dos últimos dias da vida do cangaço na região de jeremoabo.

.

    pedroson
    6 de agosto de 2011 ás 22:30 hs

    Osmar,
    Há uma lacuna nesta história que precisa ser escrita. E acho, Osmar, que precisamos contar também a versão do lado de vista das volantes, perseguidores do cangaço, talvez mais motivados por ganhos materiais, mas é um lado interessante também de ser estudado.

      Osmar Bispo
      7 de agosto de 2011 ás 13:27 hs

      Jogar uma Luz Sobre os Cangaceiros e a Volante

      Com certeza precisa sim contar alguns detalhes que ainda não foram esclarecidos por vários historiadores e escritores que escreveram sobre o cangaço, que a historia aconteceu tanto do lado da volante como dos cangaceiros.

      Quando falei foi no sentido de que alguns casos e particularidades só a família e pessoas pertos dos dois lados sabiam e sabem de alguns fatos que os historiadores e escritores não captarem por não ser da região.

      Eu pretendo sim contar alguns fatos mais eles foram narrados pela minha família e da tia que estava dentro do bando do Corisco e parentes próximo que conviveram com lampião, Corisco e o próprio Zé Rufino e outras figuras da época que estavam intimamente ligadas aos dois lados.

      Lendo alguns livros sobre o cangaço e a volante não existe nada que se refere sobre minha tia e o marido dela não consta em nenhum livro, nenhum estudo e análises sobre o cangaço é neste fato que eu quero escrever jogar uma luz sobre esta particularidade.

      Mesmo contando a historia do cangaço a história focou em alguns personagens, muitos outros não vieram à luz da história e hoje são meramente anônimos e que também vale a pena conhecer.

      Meu nobre literato Pedro quando eu for ai precisamos conversar e discutir muito sobre este assunto. Acho que esta historia sua me despertou.

6 de agosto de 2011 ás 15:23 hs

É sempre bom ler um artigo como este, principalmente porque destaca histórias de personagens nordestinos como eu…é um pedaço da nossa rica cultura, apesar de existirem muitas divergências acerca do assunto. O artigo ficou ótimo..parabéns

Deixe um Comentário





Destaques

Notícias do Favas

    UM BRINDE AO ENCONTRO!

    UM BRINDE AO ENCONTRO!

    Nossa comunidade agora está mais unida, todos nós poderemos trocar mensagens através do MP (Mensagem Privada). Quer enviar mensagens de Natal e Ano Novo? Quer fazer um convite especial a alguém? Quer convidar um autor para parceria? Quer divulgar um trabalho? Podemos agora escrever-nos à vontade!!!

    FESTA NO FAVAS – POST 2000

    FESTA NO FAVAS – POST 2000

    E a jornada continua!!! Seguindo nosso caminho hoje estamos publicando o post de número 2000. Isto é motivo de muita alegria para os editores, escritores, colaboradores e leitores do Favas.

    COMUNIDADE FAVASCONTADAS NO ORKUT

    COMUNIDADE FAVASCONTADAS NO ORKUT

    Queridos leitores e autores estamos lançando nossa comunidade no Orkut. É mais uma forma de estabelecermos os vínculos entre literatura e internet. Esperamos que esses canais se comuniquem, a exemplo do que já acontece com a nossa participação no twitter.
    Essa comunidade visa, entre outros temas, discutir a relação entre internet e literatura e suas possibilidades.

Blogs no Terreiro

Publicidade

Todas as favas

    maio 2012
    D S T Q Q S S
    « abr    
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    2728293031  

Enquete

Publicidade

Creative Commons

Comentários Recentes Tag Cloud
  • Wanda Palomino: Eu amo o Loyola Brandão, meu conterrâneo (também sou de Araraquara)! Seus livros são maravilhosos e Cadeiras probidas é o meu favo...
  • Valdeck Almeida de Jesus: É mesmo, caro Junior... a divulgação é a alma do negócio....
  • Carminha Morais: Obrigada,estou amando esse espaço. Confesso que ainda tenho um pouco de dificuldade para publicar,fico um pouco confusa....
  • Osmar Bispo: Bem vinda Carminha Morais ao Favas Contadas, este espaço é seu é nosso, todos leitores e escritores!...