O Individualismo na Sociedade Capitalista

Victor Seiji Endo

Publicado por Victor Seiji Endo em 26/06/2010 - Veja todos os artigos desse autor

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Nos dias atuais ( ou nos últimos tempos ), temos presenciado na sociedade uma evidente presença de comportamentos e atitudes egoísticas e individualistas por parte das pessoas que nela vivem. Isso ocorre nas mais diferentes dimensões da vida social, seja por exemplo no espaço público ( rua, empresas, escolas, universidades ) e, por incrivel que pareça, no espaço privado, que tem como base institucional ou composicional a Familia.

Percebe-se que, com o avanço tecnológico, informacional e indústrial da sociedade, as pessoas se encontram cada vez mais subordinadas a uma lógica e à um ritmo de trabalho rotinizante e estandardizante que as mantêm confinadas em seus serviços e funções por horas a fio, fazendo com que esqueçam ou não tenham tempo ou disponibilidade para passar um tempo com a familia ou com aqueles amigos que não se vê faz dias, meses ou anos. As preocupações ou tensões particulares são os únicos problemas existentes, e precisam ser solucionados da forma mais rápida possivel. ”Os outros que tentem solucionar seus problemas da melhor forma possivel”.

Muitos acreditam que este tipo de comportamento não dá para ser controlado ou ”administrado” pois se trata de uma característica exclusiva da ”natureza humana”, portanto, inerente a todo e qualquer ser humano ( sendo que se trata mais na verdade de uma prática construida socialmente e historicamente ). É inegável que uma das tendências naturais de cada individuo é a passionalidade, mas ao mesmo tempo o individuo possui a ”Razão Prática” – como já falava Martin Rhonheimer, teólogo seguidor de São Tomás de Aquino em seu texto ” Lei Natural – Consciência Moral e Conhecimento” - dentro de si e sabe que para que a sociedade sobreviva e a  paz social seja mantida é necessário estabelecer fortes laços sociais que mantenham-na ordenada. E é exatamente isto que ”falta” na vida cotidiana, pois o que evidentemente prevalece é o descaso para com o próximo.

Não há dúvidas de que nesta sociedade, onde a ordem do dia parece ser a utilização de um comportamento competitivo e de uma mentalidade selvagem que vê o Outro como um ”instrumento para satisfazer finalidades próprias”, é preciso criar novas formas de sociabilidade que mudem e alterem este cenário. Algumas formas solidárias de vida social já existem em determinadas esferas da vida micro-cotidiana ( como o sociólogo francês Michel Maffesoli percebeu muito bem ao discorrer sobre  as práticas comunitárias em redes das chamadas ”Tribos Urbanas” ). Mas estas mesmas  ”comunidades”  ainda se encontram muito fragmentadas, descentralizadas e muitas vezes  ”fechadas em si mesmo”, criando para si códigos e signos de conduta e comportamento próprios. As novas sociabilidades precisam levar em consideração a pluralidade social e as diversas reivindicações, gostos e idéias que circulam na sociedade, promovendo desta forma uma solidariedade mútua mais centralizada e unida, logicamente A PARTIR das diferenças, e não SUPRIMINDO-AS, pois neste caso estariamos reproduzindo/produzindo formas autoritárias de ”convivência”.

É evidente que todos os argumentos sobre as caracteristicas sociais aqui apontadas e – por que não – criticadas são um produto da Sociedade Capitalista. Agora, se a solução seria a mudança radical deste tipo de sociedade ou simplesmente a ”humanização” da mesma, fica a critério de cada um. O objetivo aqui não é apontar um direcionamento ideológico ou valorativo, mas é claro que uma transformação à longo prazo é urgente. E é esta mudança que fará que com que todos possam viver em um ambiente mais pacífico e em uma ”comunhão” conjunta

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15 Comentários lida 3.868 vezes

15 Comentários para “ O Individualismo na Sociedade Capitalista ”

27 de junho de 2010 ás 19:25 hs

Victor posturas críticas e alertas ajudam a buscar e trilhar caminhos mais fraternos e solidários!!! De fato frente a tanta diversidades e individualidades estamos nos perdendo na intolerância e no egoismo. Vamos ficar alertas!!! Grande bj.

30 de junho de 2010 ás 19:30 hs

O significado de “coletivo” se perdeu ao longo do tempo. O individual é o mais importante para muitos. Alcançar objetivos em prol da humanidade não é rápido, pelo contrário, é a longo prazo. Em plena era do imediatismo, é difícil persuadir as pessoas sobre uma causa maior que demore mais que um clique. Talvez, por isso seja tão complicado o cenário da política, da luta contra a corrupção. É complicado, mas nada justifica. Muito bom esse tema. Amplo pra diversas discussões. Parabéns pelo texto!

Victor Seiji Endo
Victor Seiji Endo
30 de junho de 2010 ás 22:23 hs

Olá Sheila e Mariana.

Realmente a mudança é algo necessário, e o comportamento ou a atitude critica são ”armas” poderosas contra o individualismo social que tanto nos assola. Como a Mariana disse, um dos grandes problemas se encontra na dimensão politica, que é a corrupção, prática que continua beneficiando uma corja minoritária em detrimento dos anseios e das vontades do povo ( maioria ).

Beijos e até mais

Aline
1 de agosto de 2010 ás 16:25 hs

Olá, adorei o texto. Muito bem escrito e argumentado. Parabéns!

BEH:-D
14 de setembro de 2010 ás 22:03 hs

MUITO OBRIGADO O TEXTO DE V6 ME AJUDOU MUITO POIS TIREI MUITAS DUVIDAS E FIZ UM OTIMO TRABALHO

Silvia
2 de fevereiro de 2012 ás 18:57 hs

Retificando:

Acho estranho você abordar esse tema. Talvez eu te conheça bem pouco ou menos do que imagino. O que você acha do individualismo dentro das corporações em prol da competição ? Responda a uma leitora apenas.

Victor Seiji Endo
Victor Seiji Endo
2 de fevereiro de 2012 ás 19:51 hs

Silvia, apontar criticas ao capitalismo deve ser feito por qualquer pessoa, independentemente de seu posicionamento politico e ideológico. Não é porque se aponta as mazelas deste sistema que você será necessariamente favorável à um processo revolucionário rumo ao Socialismo ou derrubar o capitalismo e ”expropriar todos os bens da burguesia”, isso é taxar e rotular o pensamento critico. E quando falo em Socialismo, falo daqueles modelos que se concretizaram no processo histórico e que foram um total fracasso.

Com relação ao individualismo e competição nas empresas, as duas práticas estão de fato correlacionadas e uma não anula a outra, mas este nivel de concorrência tem que possuir um limite, e a própria empresa sabe disso, porquê em momentos de crise o egoismo e individualismo só levariam à bancarrota imediata da organização. Ta ai a grande vantagem que o Toyotismo trouxe em relação ás empresas que seguiam o modelo Fordista/Taylorista. Ambas as práticas na verdade são necessárias para a sobrevivência da empresa, e é inerente ao seu funcionamento. Isso é claro.

Sílvia
8 de março de 2012 ás 18:33 hs

Victor,
“Em momentos de crise o egoismo e individualismo só levariam à bancarrota imediata da organização.” Não é o que desejo sequer para o mais inconsciente e sonhador dos capitalistas selvagens, o que direi de quem merece o melhor em conduta e pensamento por conhecimento de causa. Falo da competição das massas por um pedaço de osso. Melhor do que estar inserido nisso, não seria pensar um modo de sanar. Se os modelos de socialismo não deram certo, deixaram marcas e bravos foram os que lutaram por mudanças. Esse modelo em que vivemos deu certo?

Victor Seiji Endo
Victor Seiji Endo
11 de março de 2012 ás 11:57 hs

”Falo da competição das massas por um pedaço de osso”.

Não Silvia, você não havia feito a pergunta pra mim acerca do individualismo e egoismo do ponto da vista amplamente societal, mas sim dentro das corporações, e eu respondi a sua pergunta baseado no direcionamento de sua pergunta. Não dá pra responder algo fora do contexto de uma pergunta, ai eu estaria desvirtuando o assunto. Reveja seu post inicial.

Sílvia
12 de março de 2012 ás 19:41 hs

Victor,
O que você acha do individualismo dentro das corporações em prol da competição ? Fiz essa pergunta. Dentro das corporações, estou falando do corpo que as mantém, portanto do ponto de vista amplamente societal, a classe trabalhadora. Com relação ao seu texto, você fala do individualismo na sociedade, eu grifo e pergunto pelo individualismo dentro do ambiente de trabalho, referente a uma parte dessa sociedade, a classe trabalhadora.

Victor Seiji Endo
Victor Seiji Endo
13 de março de 2012 ás 21:41 hs

Certo, você me disse que estava querendo falar do corpo societal que mantém as corporações, e quando eu falei das corporações era óbvio que estava falando dos trabalhadores que nelas são empregados, e que o individualismo e egoismo dos mesmos ( não da diretoria desta empresa como vc imaginou ) poderia levar à bancarrota das empresas. E outra, é bom sempre separarmos uma fronteira, não é recomendável utilizar a categoria ”massa” para definir a estrutura interna de uma empresa, pois elas são bastante diversificadas e dinamicas, e não amórficas ou estagnadas como a etimologia da palavra define, e mesmo por exemplo que em sua composição existam por exemplo os trabalhadores assalariados. Outro conceito ultrapassado é definir estes mesmos trabalhadores como ”CLASSE trabalhadora”, pois isso passa a falsa idéia de que permeia entre as pessoas que a compôem uma mesma concepção ideológica de mundo em prol de uma medida em comum, e sabemos que isso não é verdade, pois a mesma é muito fragmentada. Os funcionários de uma empresa de telemarketing, os assalariados de um banco, os operários de uma fábrica, funcionários do setor comercial e os trabalhadores e lavradores de grandes fazendas agro-industriais possuem interesses muito diversos.

Victor Seiji Endo
Victor Seiji Endo
13 de março de 2012 ás 21:43 hs

Você me disse que estava querendo falar do corpo societal que mantém as corporações, e quando eu falei das corporações era óbvio que estava falando dos trabalhadores que nelas são empregados, e que o individualismo e egoismo dos mesmos ( não da diretoria desta empresa como vc imaginou ) poderia levar à bancarrota das empresas. E outra, é bom sempre separarmos uma fronteira, não é recomendável utilizar a categoria ”massa” para definir a estrutura interna de uma empresa, pois elas são bastante diversificadas e dinamicas, e não amórficas ou estagnadas como a etimologia da palavra define, e mesmo por exemplo que em sua composição existam por exemplo os trabalhadores assalariados. Outro conceito ultrapassado é definir estes mesmos trabalhadores como ”CLASSE trabalhadora”, pois isso passa a falsa idéia de que permeia entre as pessoas que a compôem uma mesma concepção ideológica de mundo em prol de uma medida em comum, e sabemos que isso não é verdade, pois a mesma é muito fragmentada. Os funcionários de uma empresa de telemarketing, os assalariados de um banco, os operários de uma fábrica, funcionários do setor comercial e os trabalhadores e lavradores de grandes fazendas agro-industriais possuem interesses muito diversos.

Silvia
15 de março de 2012 ás 19:42 hs

Victor,

Quem disse que imaginei “a diretoria da empresa ” ? Vocẽ entendeu minha pergunta, falo dos trabalhadores que nela são empregados que se matam por nada ou pelo osso de cada dia e em prol disso atropelam uns aos outros com seus individualismos. Teorias sem práticas não nos levam a nada, se chamo de massa toda a classe trabalhadora é porque essa classe, independente de suas ocupações, podem mudar algo, são em maioria, falo de um todo. Suas concepções ideológicas não diferem muito senão não teríamos escravos em pleno século XXI. Os interesses sim podem ser diversos assim como o meu é bem diferente de muitos trabalhadores, mas isso é de cada um e não necessariamente de um grupo pertencente à determinada função ou empresa. Meus termos podem ser ultrapassados, mas a história é a mesma, afunila para a derrocada caso não haja diálogo entre as partes. ( trabalhador e patrão ). Já semeei o bastante, mas não coloco minhas mãos mais nessas questões, pois parece que os interesses são realmente diversos.

Sílvia
15 de março de 2012 ás 19:53 hs

E me desculpe se houve algum erro de concordância ou se não deu a devida interpretação que meu pensamento mereça, nesse caso , esclareço o que não ficou claro. Estou sempre em busca do aperfeiçoamento, sou uma eterna aprendiz.

Grande abraço em você e gostaria de ler numa de suas escritas algo sobre o papel da mulher na sociedade.

Ray Freitas
25 de abril de 2012 ás 11:25 hs

Nossa! muito bom.

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