A Mulher da Era Pós-Moderna
A mulher da Era pós moderna
A mulher da Era-pós moderna deve aparecer nos editoriais “completamente desnuda de vulgaridade e totalmente vestida de inteligência”. Sua elegância se fará notar pela suavidade dos adereços. Na boca, um precioso implante de palavras que desviem o furor. Cílios nada postiços, capazes de filtrar o excesso de pó que pulverizam na vida das pessoas e uma lente de contato para enxergar as qualidades do próximo. Nos cabelos, condicionadores que amaciem o afago das...
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Filha das acácias
São a filha das acácias e dos juncos,
irmã da selva tropical e do deserto.
Os meus pensamentos florescem
nesta terra da fim do mundo,
para renascer mais tarde
no lugar onde se cruzam todas as viagens.
São tão preta como branca,
asiática e americana,
europeia o mesmo que crioula.
Um dia prostituta
ao outro dia escrava,
mãe de cinco filhos
e gerente de uma multinacional.
São parte do vento e das trovoadas,
Artista, amante,
investigadora e presidiária.
São do norte preto do esquecido,
filha...
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O CHEIRO
Não adiantou tapar o nariz, botar lenço, desviar a cara, o cheiro entrou pelos poros, atravessou a pele e foi direto para onde não queria que fosse. Durante o tempo em que permaneceu ali ergueu tsunamis, ativou vulcões, desencadeou tempestades, destruiu miríades de anjos, confundiu o céu e o inferno, fez nascer planta em pedra, entonteceu-o.
O cheiro destruiu o tempo, fundiu a existência, mergulhou no fundo do rio, arrancou-lhe as vísceras expondo-as à luz do sol. Trouxe também a certeza...
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Dona Arminda
@BYG
Um enorme traseiro de saia balançando de um lado a outro. Era Dona Arminda andando pelo chão de terra enquanto metia a mão no balde amarrado na cintura, e a tirava farta de grãos de milho, para dar às galinhas. Uma figura muito interessante de se ver, pensava eu que a observava de longe, sentado nas escadas da porta da cozinha. Ela fazia uns sons quaisquer para atrair as aves, que vinham...
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