Os desvarios da Razão
Os vãos do papel, sem timidez,
sorriram com as palavras pulsantes,
que há instantes,
tingiram sua tez.
Mas eis que sorrateiramente,
não mais que de repente,
invadiu-me a Razão
(creio que pelo porão)
e pôs-se a gritar:
- Onde guardaste a coerência, poeta?
Eu, sem me intimidar:
- A poesia é um espiral em linhas retas!
Com a língua de fora,
fora embora tal Senhora.
Ora, é alérgica a metáforas!
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Filha das acácias
São a filha das acácias e dos juncos,
irmã da selva tropical e do deserto.
Os meus pensamentos florescem
nesta terra da fim do mundo,
para renascer mais tarde
no lugar onde se cruzam todas as viagens.
São tão preta como branca,
asiática e americana,
europeia o mesmo que crioula.
Um dia prostituta
ao outro dia escrava,
mãe de cinco filhos
e gerente de uma multinacional.
São parte do vento e das trovoadas,
Artista, amante,
investigadora e presidiária.
São do norte preto do esquecido,
filha...
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Dia “D” de Drummond
Escritor e Poeta Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade tinha 28 anos quando conseguiu publicar seu primeiro livro, Alguma Poesia, em 1930. Foi uma edição modesta, paga pelo próprio autor. Essa obra, que tinha poemas comoNo Meio do Caminho, Quadrilha e Poema de Sete Faces, mudou os rumos da poesia no Brasil.
Num texto de 1958, Bandeira se pergunta: “Como chegou ele a tamanha...
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Vendedora de Sonhos
Sonhos eu os tenho
Eu os conto… Eu os sopro…
Eu os reinvento…
Eu os vendo sem preço
Eu os compro ao relento
Eu os reciclo… Recrio…
Eu os lanço sem medo…
Eu os trago de berço…
Eu os carrego no peito…
Eu os perco no caminho
Eu os amparo… Os salvo
Eu os descubro… Eu os guardo
Eu os cobro… Eu os troco…
Eu os modelo… De certo modo
E então eu os dou…
Eu os prendo… Eu os solto
Eu os grito… Eu os digo
Eu os...
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